O projeto de lei sobre criptomoedas na Coreia do Sul estagna devido a disputas sobre stablecoins

Mercados
Atualizado: 2025-12-31 07:32

Recentemente, o Ministério da Ciência e das TIC da Coreia do Sul comunicou que a "Lei Básica dos Ativos Digitais" foi adiada devido a divergências entre reguladores relativamente à emissão de stablecoins. O Banco da Coreia defende que apenas bancos detendo mais de 51 % do capital próprio deveriam poder emitir stablecoins indexadas ao won sul-coreano.

Por outro lado, a Comissão de Serviços Financeiros receia que uma regra rígida dos "51 %" venha a sufocar a concorrência e a inovação.

01 Principais Desenvolvimentos

O processo legislativo da Lei Básica dos Ativos Digitais da Coreia do Sul enfrentou um grande impasse. Esta legislação, aguardada com grande expectativa, pretendia estabelecer um quadro regulatório abrangente para um dos mercados de ativos digitais mais dinâmicos da Ásia. Contudo, as divergências entre reguladores quanto aos direitos de emissão de stablecoins paralisaram o avanço do diploma.

Segundo o Ministério da Ciência e das TIC, a principal disputa incide sobre quem deve deter autoridade legal para emitir stablecoins indexadas ao won sul-coreano. Este impasse deverá atrasar a aprovação do diploma até, pelo menos, janeiro de 2026, sendo improvável a sua implementação plena antes dessa data.

Este adiamento surge num momento crucial para o mercado de ativos digitais sul-coreano. Após nove anos de proibição do comércio de criptomoedas, os reguladores financeiros começaram a adotar uma postura mais flexível no início deste ano. A Lei Básica dos Ativos Digitais representa uma mudança significativa na abordagem do país à regulação das criptomoedas.

02 Divisão Regulamentar

O Banco da Coreia sustenta que apenas bancos com uma participação maioritária (51 %) devem ser autorizados a emitir stablecoins. O banco central argumenta que as instituições financeiras já estão sujeitas a rigorosos requisitos de solvabilidade e de prevenção do branqueamento de capitais, estando, por isso, melhor posicionadas para garantir a estabilidade e proteger o sistema financeiro.

Num relatório, o Banco da Coreia afirmou: "As stablecoins podem ser a chave para desbloquear novas possibilidades para a economia coreana, mas também têm potencial para introduzir novas fontes de instabilidade."

A Comissão de Serviços Financeiros, contudo, assume uma posição mais flexível. Reconhecendo a necessidade de estabilidade, a comissão alerta que uma regra rígida dos "51 %" poderá inibir a concorrência e a inovação, excluindo fintechs com know-how técnico para desenvolver infraestruturas blockchain escaláveis.

A comissão citou o regulamento europeu Markets in Crypto-Assets (MiCA), onde a maioria dos emissores de stablecoins licenciados são empresas de ativos digitais e não bancos. Referiu ainda os projetos japoneses de stablecoins em ienes liderados por fintechs como exemplos de inovação regulada.

03 Dinâmicas Políticas

Este debate regulatório transbordou para a esfera política. O Partido Democrático, atualmente no poder na Coreia do Sul, também se opõe à regra dos 51 % defendida pelo Banco da Coreia.

O deputado democrata Ahn Do-ji declarou: "A maioria dos especialistas envolvidos manifestou preocupações relativamente à proposta do Banco da Coreia, questionando se tal modelo poderá promover a inovação ou gerar efeitos de rede robustos."

Ahn acrescentou: "É difícil encontrar precedentes legislativos globais que exijam a uma entidade de um setor específico a detenção de 51 % do capital." Considera que as preocupações do banco central quanto à estabilidade podem ser resolvidas por via regulatória e tecnológica — uma opinião amplamente partilhada entre os conselheiros políticos.

04 Principais Disposições do Diploma

Apesar da controvérsia em torno da emissão de stablecoins, a proposta de Lei Básica dos Ativos Digitais inclui um conjunto de medidas orientadas para o reforço da proteção dos investidores.

No caso dos emissores de stablecoins, o diploma exige que mantenham reservas exclusivamente em instrumentos de baixo risco, como depósitos bancários ou obrigações do Estado. Além disso, os emissores teriam de colocar todas as reservas em circulação — 100 % — sob gestão de um depositário independente, normalmente um banco.

Esta estrutura, imune à insolvência, visa proteger os detentores de eventuais perdas em caso de colapso financeiro do emissor, colmatando vulnerabilidades expostas por incidentes globais anteriores.

Para além das stablecoins, o diploma estende padrões financeiros tradicionais às plataformas de ativos digitais. Os prestadores de serviços ficariam sujeitos a requisitos de divulgação transparente, condições contratuais justas e práticas publicitárias reguladas.

Em caso de falhas de segurança ou operacionais, os operadores poderiam ser responsabilizados de forma objetiva pelas perdas dos utilizadores — mesmo sem culpa comprovada — à semelhança das proteções previstas no setor do comércio eletrónico.

Uma alteração relevante na proposta é a reabertura das vendas domésticas de tokens. Desde a proibição das ofertas iniciais de moedas (ICO) em 2017, muitos projetos locais recorreram a listagens no estrangeiro para angariar capital. O novo enquadramento poderá permitir a realização de ICO reguladas por projetos coreanos, desde que cumpram regras rigorosas de transparência e demonstrem sólidos mecanismos de controlo de risco.

05 Controvérsia em Torno de Stablecoins Estrangeiras

As stablecoins emitidas no estrangeiro constituem outro ponto de discórdia. Segundo versões preliminares do governo, elaboradas pela Comissão de Serviços Financeiros, as stablecoins estrangeiras seriam permitidas na Coreia se devidamente licenciadas e caso o emissor estabelecesse uma sucursal ou filial local.

Isto significa que emissores como a Circle, responsável pela segunda maior stablecoin do mundo, a USDC, teriam de criar uma entidade local para que o seu token possa ser utilizado legalmente na Coreia.

O Banco da Coreia alertou ainda que as stablecoins podem tornar-se canais para contornar os controlos cambiais e de capitais, comprometendo a eficácia da política monetária. A emissão de stablecoins denominadas em won pode igualmente aumentar a volatilidade das taxas de juro de curto prazo, já que as aquisições de obrigações do Estado e outros ativos de reserva por parte dos emissores podem exercer pressão descendente sobre as taxas de mercado.

06 Impacto no Mercado e Oportunidades

O impasse regulatório gerou incerteza no mercado, mas também oportunidades únicas. Veja-se o caso do XRP — o seu preço situava-se em 1,8687 $ em 31 de dezembro de 2025.

Este desempenho reflete o sentimento generalizado do mercado — à procura de orientação em meio à incerteza regulatória.

O reputado analista cripto Dark Defender observou que o XRP está atualmente a testar o mínimo de 1,87 $, mas já definiu a sua própria trajetória de preço, apontando para um objetivo de 3,66 $.

Dark Defender acrescentou: "A quarta vaga corretiva do XRP está concluída… Se os market makers quiserem agitar o mercado, que assim seja. Não estou aqui para entrar em pânico — estou aqui para acumular."

Segundo dados da CoinCodex, até 31 de dezembro de 2025, o preço do XRP poderá manter-se em torno de 1,88 $, sendo expectável que o token atinja um novo valor estável de 2,14 $ até março de 2026.

07 Perspetivas Futuras e Comparações Internacionais

O impasse regulatório na Coreia do Sul reflete um debate global mais amplo sobre se devem ser os bancos ou as fintechs a controlar as stablecoins indexadas a moeda fiduciária. A decisão poderá moldar a concorrência, a inovação e a supervisão monetária.

Comparativamente ao regulamento europeu Markets in Crypto-Assets (MiCA), a postura da Coreia do Sul revela-se consideravelmente mais cautelosa. No quadro europeu, a maioria dos emissores de stablecoins licenciados são empresas de ativos digitais, não bancos.

A Coreia do Sul enfrenta um duplo desafio: garantir a estabilidade financeira e a proteção dos investidores, sem sufocar tecnologias emergentes que podem impulsionar o crescimento económico e a inovação.

Um responsável da Comissão de Serviços Financeiros revelou que as autoridades continuam em diálogo com outras entidades e a avaliar todas as opções possíveis. No entanto, com várias questões ainda por resolver, a apresentação do diploma foi adiada para o próximo ano.

Entretanto, há relatos de que a task force de ativos digitais do partido no poder está a utilizar projetos de lei já apresentados por deputados para elaborar uma proposta alternativa. Isto sugere que, apesar dos atrasos, o processo legislativo está em curso, com todas as partes a procurar soluções para o atual impasse.

Perspetivas

O futuro do mercado cripto sul-coreano permanece incerto. As divisões entre reguladores não são meramente técnicas — refletem diferenças filosóficas profundas sobre a natureza da inovação financeira.

Em bolsas globais como a Gate, as evoluções regulatórias na Coreia estão a ser acompanhadas de perto. O desfecho do debate sobre os direitos de emissão de stablecoins determinará não só se a Lei Básica dos Ativos Digitais poderá ser implementada conforme planeado em 2026, mas também influenciará o panorama concorrencial e o rumo da inovação na Ásia e no mercado global de ativos digitais.

À medida que o sistema financeiro global acelera a transição para a tecnologia blockchain, os reguladores sul-coreanos enfrentam um desafio crucial: como manter a estabilidade financeira sem ficar para trás na vaga da inovação financeira.

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