A S&P Global Ratings anunciou, em 26 de novembro de 2025, que rebaixou a classificação de estabilidade da Tether (USDT) de "4" (Restrita) para "5" (Fraca), o nível mais baixo na sua escala. Esta decisão provocou uma forte reação no mercado de criptomoedas, dado que a USDT continua a ser a maior stablecoin do mundo, com uma capitalização de mercado de 185 mil milhões $.
A S&P justificou o rebaixamento com a crescente exposição da Tether a ativos de elevado risco—incluindo Bitcoin, ouro, empréstimos e obrigações corporativas.
01 Rebaixamento da Classificação: Preocupações e Fundamentação da S&P
A S&P Global Ratings baseou a sua avaliação da Tether em vários fatores, que em conjunto constituíram o fundamento principal para o rebaixamento.
A agência destacou especificamente que a Tether garante a USDT com ativos considerados "de elevado risco", como BTC, ouro, empréstimos e obrigações corporativas, todos sujeitos a elevada volatilidade.
Segundo o relatório da S&P, o Bitcoin representa 5,6 % do USDT em circulação, ultrapassando a margem de colateral excedente de 3,9 % associada a uma taxa de colateralização de 103,9 %.
Isto significa que uma descida no valor do Bitcoin ou de outros ativos de risco pode reduzir diretamente a cobertura de colateral da Tether.
A S&P assinalou ainda que a Tether tem sede em El Salvador e é regulada pela Comissão Nacional de Ativos Digitais (CNAD) do país, que impõe requisitos relativamente flexíveis aos ativos de reserva que suportam stablecoins. A ausência de auditorias abrangentes ou relatórios de certificação de reservas foi também identificada como um fator determinante para a classificação fraca em termos de estabilidade.
02 Resposta Desafiante da Tether
A Tether respondeu de forma rápida e assertiva ao rebaixamento da S&P.
Num comunicado à Cointelegraph, a Tether classificou o relatório da S&P como "enganador" e afirmou "opor-se fortemente às caracterizações apresentadas no relatório".
A empresa argumentou que o relatório "não capta a natureza, escala e relevância macroeconómica das moedas nativas digitais, ignorando dados claros que demonstram a resiliência, transparência e utilidade global da USDT".
O CEO da Tether, Paolo Ardoino, não só contestou a nova classificação como também questionou a pertinência das agências de rating financeiras tradicionais.
Ardoino afirmou: "Os modelos clássicos de rating, concebidos para instituições financeiras tradicionais, levaram historicamente investidores privados e institucionais a investir património em empresas que, apesar de receberem classificações de grau de investimento, acabaram por colapsar."
03 Operações da Tether ao Estilo de Banco Central
Ironia do destino, enquanto a S&P rebaixava a classificação da USDT, a Tether acumulava uma reserva impressionante de ativos tradicionais.
Segundo Ardoino, a Tether é atualmente o 17.º maior detentor mundial de títulos do Tesouro dos EUA, com mais de 112 mil milhões $ em obrigações governamentais norte-americanas de curto prazo—ultrapassando a maioria dos países, incluindo a Coreia do Sul, a Arábia Saudita e a Alemanha.
A empresa acumulou ainda 116 toneladas de reservas de ouro, rivalizando com as reservas de alguns países e bancos centrais.
A acumulação de ouro, títulos do Tesouro dos EUA e a capacidade de emitir e resgatar dólares digitais levou alguns analistas a afirmar que a Tether opera agora de forma semelhante a um banco central.
04 Panorama do Mercado de Stablecoins e a Dominância da USDT
Apesar do rebaixamento da S&P, a dominância da Tether no mercado de stablecoins permanece inabalável.
De acordo com um relatório da Artemis em colaboração com a Dragonfly e a Castle Island Ventures, a Tether (USDT) representa 90 % do volume de transações no mercado de pagamentos com stablecoins.
A rede Tron tornou-se a camada de liquidação preferencial, representando cerca de 60 % das transações. Após anualização dos dados de pagamentos de fevereiro de 2025, o mercado atingiu 72,3 mil milhões $.
Estes números evidenciam que, apesar do rebaixamento e das pressões regulatórias, a USDT continua a liderar de forma destacada na utilização real—sobretudo em mercados emergentes como a Argentina e o Brasil, onde a USDT é amplamente utilizada como substituto do dólar.
05 Desempenho do Mercado GateToken
No mesmo dia do rebaixamento da USDT pela S&P, o token da plataforma Gate, GateToken (GT), registou uma forte valorização.
A 27 de novembro, o preço do GT atingiu 10,54 USDT, uma subida de 5,08 % nas últimas 24 horas. Dados em tempo real mostraram o par GT/USDT a alcançar 10,84 USDT, um acréscimo de 1,78 %.
A análise técnica indica que a tendência de curto prazo do GT é "fortemente otimista". Enquanto o preço se mantiver acima do suporte dos 10,60 USDT, o ímpeto de subida deverá persistir.
O primeiro nível de resistência situa-se nos 10,80 USDT, e uma quebra deste patamar poderá conduzir a um novo teste aos 10,98 USDT.
06 Impacto no Mercado e Estratégias dos Utilizadores
O rebaixamento da S&P surge num ano marcante para o mercado de stablecoins.
Este ano, os Estados Unidos aprovaram legislação relevante, a administração Trump posicionou as stablecoins como instrumento para manter a dominância do dólar e o valor de mercado das stablecoins ultrapassou os 300 mil milhões $.
Entretanto, o GENIUS Act norte-americano introduziu requisitos importantes de licenciamento e padrões de reserva em 2025, embora os mecanismos de fiscalização essenciais permaneçam pouco claros.
Face ao atual panorama, os utilizadores de stablecoins devem considerar as seguintes estratégias:
- Diversificar as reservas de stablecoins: Considere converter parte da sua USDT para outras stablecoins, como a USDC, para diluir o risco.
- Acompanhar a evolução regulatória: Mantenha-se informado sobre alterações na regulação das stablecoins a nível global, especialmente nos EUA e na União Europeia.
- Rever regularmente as reservas: Dê atenção às divulgações sobre a composição dos ativos de reserva e aos relatórios de auditoria dos emissores de stablecoins.
- Gerir a volatilidade do mercado: Prepare-se para uma maior volatilidade após o rebaixamento e implemente uma gestão de risco adequada.
Perspetivas
O mercado das stablecoins entrou numa nova fase. Por um lado, agências de rating tradicionais como a S&P começam a focar-se no setor cripto e a emitir alertas sobre os seus riscos. Por outro, empresas como a Tether demonstram capacidades de acumulação de ativos comparáveis às dos bancos centrais.
Neste contexto de transformação, os quadros regulatórios vão-se consolidando—o GENIUS Act norte-americano introduziu novos padrões em 2025. Paralelamente, o mercado dá sinais claros—USDT representa 90 % do volume de transações de pagamentos.
Olhando para o futuro, prevê-se que o mercado das stablecoins se torne mais transparente e regulado, o que poderá transformar radicalmente o panorama competitivo.


