Trump assume a “versão adulta do Pai Natal”, afirmando distribuir aos americanos de rendimentos médios e baixos um “dividendo tarifário” de 2.000 dólares, proveniente das receitas de tarifas, inflamando o entusiasmo do mercado de criptomoedas, mas escondendo a fatura oculta da inflação, do défice orçamental e da incerteza política — este presente é de ouro ou uma ilusão doce? Este artigo é baseado numa publicação do Revelation on Chain, organizada, traduzida e escrita pelo Odaily Planet Daily.
(Contexto anterior: Trump diz “Distribuição universal de 2000 dólares”: só um tolo rejeitaria tarifas; Secretário do Tesouro dos EUA fica perplexo: nunca discutiram isso comigo)
(Complemento de contexto: Trump lança uma jogada: aumenta tarifas de 25% com países de comércio com o Irã, China e Índia na linha da frente)
Índice do artigo
Todos os anos, no Natal, as crianças recebem um presente do Pai Natal misterioso, sem questionar o custo do presente. Agora, Donald Trump tenta atuar como Pai Natal para o mundo adulto, prometendo distribuir uma “dividendo tarifária” de 2000 dólares, alegando que o presente é pago por uma “fábrica estrangeira” distante. O mercado de criptomoedas já está tão animado quanto crianças ansiosas por abrir presentes. Mas há um detalhe ignorado nesta grande magia: antes de aplaudir o coelho que aparece do nada, ninguém pergunta de quem veio a refeição que o alimenta. E quem ficará com fome esta noite?
Fonte: Donald Trump
E o mercado de criptomoedas, justamente, é aquele que nunca se preocupa com quem paga a conta do jantar, apenas sente o aroma.
A última vez que eles celebraram foi com os cheques de estímulo durante a pandemia; desta vez, o prato principal da festa é uma novidade de Donald Trump — o “dividendo tarifário” (Tariff Dividend). Este “Pai Natal” de 79 anos, que saiu às pressas do seu “posto” mais de um mês antes, anunciou oficialmente em 9 de novembro na sua plataforma social Truth Social que distribuiria 2000 dólares em dinheiro vivo a cada americano de rendimentos médios e baixos. A “magia” de criar esse dinheiro não vem de uma impressora tradicional, mas das tarifas de importação que ele tanto adora.
Aplaudido pelo mercado, sem hesitação. Em poucos minutos após o anúncio, o Bitcoin subiu 1,75%, o Ethereum 3,32%. Criptomoedas mais sensíveis à narrativa de “dinheiro anônimo”, como Zcash e Monero, tiveram aumentos de dois dígitos. O volume nas exchanges de criptomoedas disparou, e nas redes sociais ecoaram os gritos de “nova alta do mercado de touros”.
Para esses “crianças” empolgadas, o Pai Natal já partiu em seu trenó.
A obsessão de Trump por tarifas remonta à sua promessa de campanha em 2016 — “America First”.
Ele acreditava que tarifas altas poderiam proteger a manufatura americana e fazer os estrangeiros pagarem a dívida dos EUA. Após assumir o cargo, lançou uma guerra comercial com a China, União Europeia e outros blocos econômicos, impondo tarifas elevadas sobre aço, alumínio e bens de consumo importados.
Essa lógica simples, porém perigosa: tarifas seriam uma “taxa de proteção” paga pelos estrangeiros, e não um imposto oculto que recai sobre os consumidores americanos.
Até o ano fiscal de 2025, a receita tarifária dos EUA atingiria 195 bilhões de dólares. Trump afirmou várias vezes que essa receita poderia pagar a dívida de 37 trilhões de dólares do país. Mas economistas alertam que as empresas repassam esses custos aos consumidores, alimentando a inflação e reduzindo o poder de compra.
Para os apoiantes de Trump, é uma vitória — tarifas fazem os “estrangeiros pagarem, e os EUA ficarem mais ricos”. Essa narrativa plantou a semente política do “dividendo tarifário”.
O conceito de “dividendo tarifário” não surgiu do nada. Em uma entrevista de TV no mês passado, Trump insinuou que planejava devolver parte da receita tarifária aos americanos — entre 1000 e 2000 dólares por pessoa. Afirmou que essa política geraria mais de 1 trilhão de dólares por ano, suficiente para distribuir dividendos universais.
Em 9 de novembro, anunciou oficialmente na Truth Social: “Estamos arrecadando trilhões de dólares e em breve começaremos a pagar nossa enorme dívida. Cada um (exceto os de alta renda!) receberá pelo menos 2000 dólares de dividendo.”
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, sugeriu que o dividendo poderia vir na forma de redução de impostos. Mas Trump não deu detalhes concretos.
Em outras palavras, esse presente reluzente, ao ser aberto, está vazio. Sem cronograma, critérios ou aprovação do Congresso.
Segundo cálculos do analista do Kobeissi Letter, com base no padrão de distribuição dos cheques de estímulo durante a pandemia, cerca de 220 milhões de adultos nos EUA seriam elegíveis para recebê-los. Formalmente, parece uma “inovação fiscal”; na prática, é uma repetição de um roteiro político. Primeiro, gritam slogans, e o mercado reage.
Formalmente, parece uma “inovação fiscal”; na prática, é uma repetição de um roteiro político. Primeiro, gritam slogans, e o mercado reage.
O mercado tem memória muscular. Lembra claramente de 2020, quando os cheques de estímulo fizeram o Bitcoin subir de 4.000 para 69.000 dólares, numa das maiores festas de touros da história das criptomoedas. Naturalmente, o mercado espera uma “repetição histórica”, e inicia a maior festa de criptomoedas de todos os tempos. Agora, a música familiar volta a tocar, e o mercado espera que a história se repita.
Porém, desta vez, o truque do mágico tem uma falha: a festa daquele ano foi alimentada pelo Federal Reserve, que imprimiu dinheiro do nada; hoje, o “dividendo” é apenas uma parte do dinheiro de alguns convidados sendo transferida para outros. Não é uma nova festa, mas uma reconfiguração da arrecadação de impostos. Sua escala e sustentabilidade permanecem com dúvidas.
Após a última rodada de estímulos, a inflação nos EUA atingiu quase 10%.
A reação do mercado de criptomoedas às notícias é sempre rápida.
Em 24 horas após o anúncio, Bitcoin, Ethereum, Solana e outras principais criptomoedas subiram em linha.
“Stocks e Bitcoin só reagem a estímulos — sobem”, escreveu o investidor Anthony Pompliano na plataforma X após o anúncio.
Defensor do Bitcoin, Simon Dixon alertou: “Se você não investir esses 2000 dólares em ativos, eles serão consumidos pela inflação, ou usados para pagar dívidas, e acabarão voltando aos bancos.”
Essa fala revela o núcleo psicológico do mercado: independentemente de o estímulo realmente acontecer, a expectativa de liquidez é o combustível para a alta de preços.
Porém, essa alta mais parece uma ilusão de especulação psicológica.
Primeiro, essa política ainda não foi aprovada por qualquer órgão legislativo. Se a Suprema Corte declarar ilegal a tarifa, o plano de dividendos pode morrer na praia.
Em segundo lugar, mesmo que seja implementada, ela significa uma distribuição direta de receita fiscal, e não uma redução de dívida. A promessa de Trump de pagar a dívida americana com dinheiro estrangeiro provavelmente fracassará novamente.
Mais importante, a emissão massiva de dinheiro aumentará a pressão inflacionária, forçando o Federal Reserve a adotar uma política monetária mais hawkish. Quando isso acontecer, a liquidez se reduzirá, e os ativos de risco serão os primeiros a sofrer.
Analistas de investimentos alertam que, embora parte do dinheiro do dividendo possa impulsionar os preços dos ativos, a longo prazo, as consequências serão inflação e perda de poder de compra da moeda.
Por trás do entusiasmo, uma batalha legal está em andamento. A Suprema Corte dos EUA está analisando a legalidade das tarifas. Até 10 de novembro, segundo dados do mercado de previsão descentralizado Polymarket, a probabilidade de aprovação da plano é de apenas 23%; na plataforma Kalshi, essa chance é ainda menor, 22%. Em outras palavras, a maioria do mercado aposta que o plano será rejeitado judicialmente.
Fonte: Polymarket
Mas Trump, claramente, é um “diretor de teatro” mais talentoso. Ele questionou diretamente na Truth Social:
“Se o presidente dos EUA tem autorização do Congresso para interromper todo comércio com estrangeiros — algo mais severo que tarifas — por que não pode taxar por motivos de segurança nacional? Que lógica é essa?”
Veja, com uma frase, ele transformou uma controvérsia entediante numa grande peça política sobre “soberania”.
Essa estratégia dramática é quase uma segunda natureza para alguém que, na clássica comédia natalina “Esqueceram de Mim 2”, interpretou um personagem que orientava o protagonista a encontrar o caminho na casa grande.
Em outras palavras, por trás da celebração de curto prazo, há um roteiro familiar, o diretor não mudou, apenas deixou a conta para o próximo ator.
O “dividendo tarifário” foi cuidadosamente embalado como uma caixa de presente de Natal, mas é mais como um doce natalino que derrete na boca: o sabor doce (estímulo de curto prazo) deixa uma cárie difícil de tratar — a “inflação”.
A receita de 195 bilhões de dólares das tarifas, comparada aos 37 trilhões de dólares da dívida, é como tentar encher uma piscina com uma moeda. Distribuir essa moeda agora é como usar dinheiro do futuro para aplaudir o presente.
A festa política de curto prazo traz uma armadilha fiscal de longo prazo. Economistas alertam que essa política pode gerar uma “dupla inflação”: tarifas elevam custos, dividendos estimulam demanda, como pisar simultaneamente no acelerador e no freio de um carro já em alta velocidade, levando ao superaquecimento do motor e à destruição do veículo.
No plano geopolítico, o barulho pode atrair reclamações e retaliações de vizinhos (outros países). Quando a bola de neve da guerra comercial rolar novamente, as cadeias de suprimentos globais vão chiar, especialmente para a mineração de criptomoedas dependente de chips globais, como uma tempestade de neve.
Em suma, por trás da celebração de curto prazo, há um roteiro familiar. O Pai Natal apenas colocou uma conta com as palavras “inflação”, “déficit” e “guerra comercial” no sapatinho de Natal do próximo ano.
Nesta grande peça política, o Pai Natal Trump não preparou apenas um presente comum para o povo, mas também uma oferta especial para o mundo das criptomoedas. Quando anunciou que iria tirar de seu bolso vermelho chamado “tarifa” 2000 dólares para cada americano, o mercado de criptomoedas pareceu ouvir o sino do Natal antecipado.
Agora, o trenó da história parece seguir o mesmo trajeto de antes. As crianças do mercado (os investidores de varejo) olham ansiosas para a chaminé, acreditando que alguns presentes cairão diretamente em suas carteiras de criptomoedas, iniciando mais uma “temporada de altcoins” (altseason).
Porém, toda criança que acredita no Pai Natal precisa encarar uma questão real: qual é o preço do presente?
Desta vez, o presente do Pai Natal não saiu do atelier no Ártico do nada. Ele apenas gastou generosamente o crédito do país. Essa festa de mais de 400 bilhões de dólares é uma conta de “inflação”. Quando o clima festivo faz a economia ficar quente demais, os adultos (o Federal Reserve) podem precisar abrir as janelas e soprar ar frio (aumentar as taxas de juros), encerrando a festa prematuramente.
Assim, cada investidor de criptomoedas tem diante de si uma caixa de presente bem embrulhada. A curto prazo, ela brilha com o brilho tentador de uma repetição histórica; mas, a longo prazo, o verso da caixa pode ter uma pequena letra dizendo “inflação” na conta.
Será uma verdadeira dádiva que aquece todo o inverno, ou um doce natalino que derrete na boca, mas causa cáries? Para os fiéis do universo cripto, a escolha de acreditar em qual história determinará se eles conseguirão escapar ilesos dessa festa.