Autor: Alan Chen
Se o seu portefólio inclui ações americanas, ouro, Bitcoin ou altcoins, este número pode mudar a sua perspetiva sobre esses ativos.
A relação entre o S&P 500 e o preço do ouro (SPX:GOLD), atualmente é de 1.45.
A maioria das pessoas não presta atenção a este número. Afinal, o mercado de ações continua a atingir novas máximas, os valores nas contas aumentam, o Bitcoin também permanece em níveis elevados, quem se preocuparia em calcular com ouro?
Mas Benjamin Cowen preocupa-se. Recentemente, lançou dois vídeos dedicados a analisar esta relação e o seu impacto no ciclo de ações, ouro e criptomoedas. A sua conclusão é direta: Estamos numa fase extremamente perigosa da história, e este ponto vai determinar que ativos possuirá nos próximos 2-3 anos.
Porquê? Porque este número de 1.45 já apareceu três vezes na história financeira, e após cada uma delas, aconteceram eventos pouco agradáveis. Ainda mais importante, Cowen baseia-se na regularidade histórica dos anos de eleições intercalares, e fornece uma cronologia clara:
Mas antes que essa cronologia se cumpra, há uma realidade mais urgente: de 2021 até agora, o S&P 500 atingiu novas máximas nominais, mas ao dividir pelo preço do ouro, a relação caiu de 2.7 para 1.45. Em outras palavras: Nos últimos quatro anos, o índice S&P 500, em termos de ouro, caiu 46%.
A sua conta de ações pode mostrar lucros, mas se calcular em ouro, na realidade está a perder. O seu Bitcoin pode ainda estar em alta, mas relativamente ao ouro, também está a desvalorizar-se continuamente. Isto não é uma questão teórica, é uma mudança real no valor relativo dos ativos — Cowen chama-lhe “The Bleed” (o Sangramento).
E uma questão ainda mais importante: este ponto de 1.45, será que o fecho mensal vai abaixo? Se sim, a história mostra-nos o que pode acontecer a seguir.
Três vezes, três pontos de viragem
A relação entre o S&P 500 e o ouro atingiu ou quebrou o nível de 1.45 em três momentos-chave na história financeira:
1929: O mercado de ações foi rejeitado neste nível, levando à Grande Depressão.
1973: Nos anos 60, o mercado de ações tentou várias vezes atingir este nível, mas em 1973 caiu abaixo, marcando uma mudança de regime. Seguiu-se uma correção de 50% e uma década de estagflação.
2008: Novamente, abaixo de 1.45, veio a crise financeira.
Cowen, no artigo “A Deeply Concerning Chart for Stocks”, aponta que isto não é coincidência. Cada vez que esta relação quebra o nível de 1.45, indica uma mudança de ciclo de ações para ouro.
Agora é 2026, e estamos de novo em 1.45.
Alguém pode dizer: “E em março de 2020, também tocou em 1.44, por que não houve colapso?”
De fato, não houve colapso, mas a que custo?
O Federal Reserve imprimiu 6 trilhões de dólares, as taxas de juro foram para zero, os bancos centrais globais abriram as torneiras do afrouxamento monetário. Não foi uma recuperação natural do mercado, foi uma intervenção artificial.
A questão agora é: se 1.45 for novamente quebrado, o Fed ainda terá espaço e ferramentas? A inflação ainda não está controlada, as taxas permanecem altas, a dívida atingiu níveis recordes. O custo de um resgate pode ser maior ou até impossível de realizar.
O mercado não segue o roteiro que esperas
Muitos investidores acreditam numa lógica: quando o ouro sobe demais, faz uma correção, e o capital roda de volta para ações, que voltam a subir.
Cowen refuta essa ideia com dados históricos.
Em 1973 e 2008, após a quebra da relação S&P/Ouro, não houve uma rotação de capital. A realidade foi: tanto as ações quanto o ouro caíram, mas as ações caíram mais.
A observação de Cowen é: na quebra da relação, o capital não sai do ouro para as ações, mas vai para o dinheiro ou outros ativos tangíveis. A aversão ao risco aumenta, os investidores preferem proteger-se, não arriscar.
The Bleed: o processo de desvalorização relativa contínua
Cowen introduz o conceito de “The Bleed” — durante ciclos dominados pelo ouro, os ativos de risco continuam a desvalorizar-se relativamente ao ouro.
Esta desvalorização não depende de o ouro subir ou descer:
O resultado é: independentemente do movimento do ouro, o valor das ações em relação ao ouro encolhe.
Esta tem sido a realidade dos últimos quatro anos. O S&P 500, em termos de ouro, caiu 46%. Os investidores em fundos de ações podem ver lucros na sua conta, mas quem possui ouro tem ganhos mais elevados.
Aviso de congelamento de contratações
A taxa de desemprego está a subir. Cowen destaca um detalhe frequentemente ignorado: a subida do desemprego não vem só de despedimentos, mas também de empresas que deixam de contratar novos trabalhadores.
Segundo os dados que cita, a taxa de desemprego entre jovens de 16-19 anos atingiu 15.7%, muito acima de outros grupos etários. Isto indica que os novos entrantes no mercado de trabalho enfrentam dificuldades maiores. As empresas podem não despedir funcionários antigos, mas deixam de fazer contratações de expansão.
Este é um sinal clássico de desaceleração económica.
Tendências nos dados estaduais
Atualmente, 27 estados têm taxas de desemprego a subir. Historicamente, quando todos os estados mostram aumento do desemprego, a recessão é praticamente confirmada. Ainda não chegámos lá, mas a tendência está formada.
Cowen usa a expressão “escalar a parede do medo” para descrever o estado atual do mercado — parece que ainda sobe, mas o suporte está a enfraquecer.
Vendo ao contrário: ouro / S&P 500
Se invertermos o gráfico, analisando o ouro dividido pelo S&P 500 (Gold / S&P 500), o sinal fica mais claro: o ouro já fez uma ruptura de alta contra as ações.
Cowen mostra isso no artigo “Gold Breaks out against Stocks”. O ouro em 2023 rompeu um topo de longo prazo, em 2024 fez um teste de confirmação, e em 2025 começou a acelerar a subida.
Este é um padrão clássico de análise técnica: ruptura → teste → continuação da subida.
Cowen compara este gráfico com outros ativos, e percebe que padrões semelhantes aparecem em Bitcoin, paládio, índice Hang Seng, entre outros. Não é um fenómeno isolado, mas uma mudança de tendência ampla.
O teste de suporte do ouro já foi feito, e, segundo este padrão, o próximo passo é uma fase de subida sustentada.
A situação das altcoins
Para os investidores em criptomoedas, a situação é ainda mais grave.
Cowen saiu de altcoins em 2022. A razão é que as altcoins não só caíram em relação ao Bitcoin, como também ao ouro e à prata, atingindo até novos mínimos.
Ele reforça: “Não se apegue a uma classe de ativos. Você deve negociar o mercado que enfrenta, não o que gostaria que fosse.”
Quem possui altcoins nos últimos anos viveu uma desvalorização múltipla: em relação ao ouro, ao Bitcoin, e até às ações, continuam a perder valor.
Correção de médio prazo do ouro
Cowen analisou o desempenho histórico dos anos de eleições intercalares (2014, 2018, 2022), e descobriu um padrão:
Topo no primeiro semestre: pico no início do Q1 ou Q2
Correção no segundo semestre: forte recuo no Q3 ou Q4
Preparação para o próximo ciclo
Se este padrão se mantiver, o caminho do ouro em 2026 pode ser:
Cowen prevê: “Provavelmente uma grande queda no terceiro trimestre, encontrando um fundo, e depois desenvolvendo-se a partir daí, entrando em 2027-2028.”
Criptomoedas seguem o ouro
Cowen acredita que, as criptomoedas só vão atingir o fundo quando o ouro também o fizer.
Isto significa:
Para os investidores em cripto, isto indica que, até ao Q3 de 2026, talvez não seja o melhor momento para posicionar-se. A verdadeira oportunidade surge quando o ouro fizer a correção.
Duas possibilidades para o mercado de ações
Quando o ouro corrigir no Q3/Q4, como será o mercado de ações?
Baseando-se na teoria “The Bleed”, há duas hipóteses:
Situação A: ouro cai, ações caem ainda mais
Este padrão foi visto em 1973 e 2008. Uma correção de 10% no ouro pode significar uma correção de 30-50% nas ações.
Situação B: ouro cai, ações ficam de lado ou sobem ligeiramente
Situação mais moderada, mas a relação Gold/SPX ainda assim diminui, indicando que o ouro continuará a ter um desempenho superior.
Em qualquer caso, a lógica central mantém-se: numa fase dominada pelo ouro, os ativos de risco continuam a desvalorizar-se relativamente aos ativos tangíveis.
Fecho mensal é o ponto-chave
As oscilações diárias ou semanais são apenas ruído. O fecho mensal é que confirma a tendência.
Se a relação S&P/Ouro fechar abaixo de 1.44 no mês, é um sinal importante. Historicamente, cada quebra deste nível precede correções profundas ou recessões.
Atualmente, a relação está perto de 1.45, o fecho mensal ainda não confirmou a quebra. Mas a tendência é clara: o ouro está a fortalecer-se, as ações a enfraquecer-se relativamente.
Não te prendes a um único ativo
Cowen reforça repetidamente: não te apegues a uma classe de ativos.
Se só tens ações, acreditando que “a longo prazo vai subir”, podes passar por um período prolongado de desvalorização relativa.
Se só tens altcoins, esperando que “eventualmente vai chegar a minha vez”, podes descobrir que esse momento nunca chega.
O mercado vai mostrar-te o que realmente está a fazer. Observa, ajusta, adapta-te, e não te deixes prender por crenças fixas.
A estrutura atual do mercado
Segundo Cowen, a estrutura atual indica:
Não quer dizer que devas vender tudo e comprar ouro. Mas é importante perceber: Estamos numa fase de mudança de regime, estratégias que funcionaram no passado podem deixar de ser eficazes.
1.45 não é um número comum. É um eco de 1929, um aviso de 1973, uma pré-visualização de 2008.
Agora, voltou.
Benjamin Cowen não prevê uma queda certa do mercado, nem diz que deves vender tudo. Mas, com dados, aponta: nunca foi um ponto de suavidade na história.
Podes acreditar que “desta vez é diferente”, ou respeitar os padrões históricos.
Podes continuar a segurar ações à espera de rotação, ou reavaliar a tua alocação de ativos.
Podes ignorar o 1.45, ou usá-lo como lembrete: no mercado financeiro, sobreviver é mais importante do que provar que estás certo.
O fecho mensal vai dar-nos a resposta. Até lá, mantém-te atento, flexível, e respeita os dados.
Porque o mercado não se importa com o que tu queres. Ele só mostra o que realmente é.
Fonte dos dados:
Aviso legal: Este artigo baseia-se em dados públicos e análises históricas, apenas para fins informativos, não constituindo aconselhamento de investimento. Os mercados financeiros envolvem riscos, invista com cautela.
Este é Alan Chen. Veja as tendências com dados, proteja o seu capital com lógica.
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