A doação de $144 milhões da Ripple para SuperPACs influenciou as eleições de 2024, com 85% dos candidatos apoiados por criptomoedas a ganhar.
A batalha legal da Ripple com a SEC custou mais de $150M; XRP não foi considerado um valor mobiliário por um juiz federal.
O projeto de lei Bipartisan FIT 21 propõe transferir a supervisão de criptomoedas para a CFTC, com o objetivo de esclarecer as regulamentações dos EUA para ativos digitais.
Brad Garlinghouse, CEO da Ripple, apareceu no programa 60 Minutos da CBS para discutir a crescente influência da criptomoeda na política e regulamentação dos EUA. A entrevista, conduzida por Margaret Brennan, explorou o papel da indústria nas recentes eleições, suas batalhas regulatórias em curso e seu futuro
Garlinghouse destacou a contribuição da Ripple para moldar o setor de ativos digitais, ao mesmo tempo em que questionou a narrativa de que as criptomoedas não possuem utilidade. A conversa abordou a luta legal da Ripple com a SEC, os esforços de lobby da indústria e as implicações mais amplas da adoção de criptomoedas.
O papel da Cripto nas Eleições dos EUA ganha momentum
Garlinghouse enfatizou as substanciais contribuições financeiras feitas por empresas de criptomoedas nas eleições de 2024. Notavelmente, a Ripple e outras duas empresas doaram coletivamente $144 milhões para SuperPACs que apoiam candidatos pró-criptomoedas
Esses esforços influenciaram significativamente os resultados eleitorais, com 85% dos candidatos apoiados pela indústria vencendo suas corridas. Isso incluiu vitórias para figuras-chave como o republicano Bernie Marino em Ohio e os senadores democratas Alyssa Slotkin e Ruben Gallego.
O gasto político da indústria de criptomoedas, argumentou Garlinghouse, tinha como objetivo garantir que os legisladores entendessem e suporte as tecnologias emergentes. Ele descreveu as contribuições como um meio de “educar os eleitores” e defendeu a criação de estruturas regulatórias claras para ativos digitais. No entanto, críticos como o ex-funcionário da SEC, John Reed Stark, acusaram a indústria de tentar “comprar eleições,” levantando questões sobre transparência e ética.
Batalha Legal da Ripple com a SEC Permanece Central
A entrevista também revisitou a disputa legal contínua da Ripple com a SEC. Em dezembro de 2020, a SEC processou a Ripple, alegando que seu ativo digital, XRP, era um valor mobiliário não registrado. Garlinghouse defendeu a postura da Ripple, afirmando que o XRP facilita pagamentos transfronteiriços de forma eficiente e opera dentro de estruturas regulatórias. Ele criticou a omissão da decisão de um juiz federal de que o XRP não é um valor mobiliário, chamando-a de ponto crucial na ação judicial.
John Reed Stark, um ex-funcionário da SEC, afirmou que o XRP deve ser classificado como um valor mobiliário, citando opiniões judiciais repetidas para suporte à sua reivindicação. Apesar dos desafios legais, Garlinghouse revelou que a Ripple gastou mais de $150 milhões na sua defesa, mostrando os riscos envolvidos em estabelecer um precedente para a indústria de criptomoedas.
Regulação de Cripto: Um Espaço Dividido
Outro ponto focal foi a proposta de legislação, FIT 21, que tem como objetivo esclarecer as responsabilidades regulatórias entre a SEC e a Commodity Futures Trading Commission (CFTC). O projeto de lei, que passou pela Câmara com suporte bipartidário, transfere certos poderes de supervisão para a CFTC, uma medida bem recebida por muitos na indústria. Garlinghouse defendeu tais estruturas, argumentando que regras claras promoveriam a inovação e evitariam o deslocamento da indústria para o exterior.
Entretanto, Garlinghouse destacou a adoção mais ampla da indústria, citando o uso da Ripple do XRP para bilhões em transações transfronteiriças em conformidade com o Conheça o seu cliente (KYC). Ele também destacou a mudança de sentimento, com grandes instituições financeiras como a JPMorgan agora abraçando a tecnologia blockchain. Apesar do ceticismo de figuras como Jamie Dimon, o sucesso dos ETFs de Bitcoin este ano reforçou ainda mais a integração da criptomoeda nas finanças convencionais.