
A executiva do Banco Central Europeu (BCE) Isabel Schnabel afirmou, a 1 de Junho, numa reunião do Banco da Coreia, em Seul, que as stablecoins colocam riscos múltiplos para a estabilidade financeira e para a política monetária, e que a melhor resposta do BCE passa por garantir que existe uma âncora de moeda pública. Schnabel referiu que, embora a inovação em moeda privada como as stablecoins possa trazer “benefícios significativos”, também pode aumentar o risco de corrida aos depósitos no sistema financeiro e enfraquecer a capacidade de decisão das taxas de juros de se repercutir na economia.
Declarações-chave de Schnabel
Schnabel disse, no seu discurso: “A posição dominante do dólar será reforçada, e isso não necessariamente porque os fundamentos económicos estejam mais fortes, mas porque existem efeitos de rede, vantagens de escala e uma vantagem de pioneiro.”
Ela acrescentou: “Mesmo para regiões com boa credibilidade monetária, uma liderança contínua do dólar em stablecoins pode, se forem reforçadas a liquidação em dólares e as reservas de liquidez global, produzir efeitos negativos ao longo do tempo. Do ponto de vista europeu, isso poderá, no final, limitar o papel do euro em novas formas de finanças tokenizadas e no quadro mais amplo do sistema monetário internacional.” A mesma responsável apontou ainda que muitas das vantagens das stablecoins derivam da tecnologia subjacente, e não das características da própria ferramenta.
Dados do FMI e enquadramento do mercado já confirmado
Os dados do FMI mostram que a quota do dólar nas reservas globais de divisas já caiu para menos de 57% no ano passado, abaixo dos cerca de 70% registados por volta da viragem do século. Actualmente, a grande maioria das stablecoins do mercado está indexada ao dólar; a utilização das stablecoins é relativamente baixa, mas tem crescido rapidamente. Os modelos dos analistas indicam que a taxa de utilização das stablecoins deverá continuar a crescer de forma rápida.
Postura contrária da governadora da Reserva Federal Waller
Em contraste directo com o discurso de Schnabel, a governadora da Reserva Federal Christopher Waller afirmou no dia anterior que a propagação global das stablecoins pode alargar a influência da política do banco central dos EUA e criticou as CBDC, chamando-lhes “coisas estúpidas”.
Perguntas frequentes
Como é que a estratégia do euro digital do BCE responde à expansão das stablecoins?
Schnabel confirmou que o BCE depende do euro digital como retalho CBDC, bem como de moeda do banco central tokenizada como CBDC grossista, com o objectivo de garantir que a moeda pública continua a ser uma âncora para o sistema financeiro, contrariando o impacto da expansão das stablecoins privadas na transmissão da política monetária e no estatuto do euro.
Porque é que Schnabel destacou em particular o impacto das stablecoins ligadas ao dólar no euro?
Schnabel indicou que, dado que a grande maioria das stablecoins está indexada ao dólar, o crescimento da utilização poderá reforçar os efeitos de rede, as vantagens de escala e a vantagem de pioneiro do dólar, limitando ao longo do tempo o papel do euro nas finanças tokenizadas e no sistema monetário internacional.
Em que aspectos é que as posições de Waller (Fed) e de Schnabel (BCE) entram em confronto directo?
Waller considera que a propagação global das stablecoins pode alargar a influência da política do banco central dos EUA e critica as CBDC; Schnabel sustenta que as stablecoins colocam riscos para a estabilidade financeira e para a transmissão da política monetária, defendendo o euro digital como a resposta do BCE.