A Agência Japonesa de Investigação e Desenvolvimento Marítimos (JAMSTEC) extraiu com sucesso aproximadamente 50 toneladas de sedimentos de uma profundidade de 6.000 metros perto de Minamitorishima no início de 2026, com a análise a confirmar concentrações elevadas de elementos terras-raras estratégicos. O Governo japonês anunciou os resultados em 24 de julho, afirmando que as terras-raras de massa média e elevada compõem 54% do material extraído, incluindo elementos críticos para a produção de semicondutores e veículos elétricos. Esta conquista representa uma rutura nos esforços do Japão para reduzir a dependência de importações chinesas de terras-raras e reforçar a resiliência das cadeias de abastecimento no âmbito do seu quadro de política de segurança económica.
Análise da composição de terras-raras revela elementos estratégicos-chave
De acordo com o relatório do Nikkei, a análise oficial revelou que as terras-raras de massa média e elevada representam aproximadamente 54% dos sedimentos recolhidos. O ítrio, amplamente utilizado em equipamento de fabrico de semicondutores e em aplicações de defesa, registou a maior concentração, com 29,9% do total do teor de terras-raras. O neodímio, essencial para motores de tração de veículos elétricos e ímanes permanentes de alto desempenho, foi de 18,4%. Os sedimentos também continham disprósio a 4,6%, que aumenta a resistência ao calor dos ímanes, e gadolínio a 4,9%, utilizado em materiais de controlo de reatores nucleares.
Esta descoberta tem um valor estratégico significativo para a política de segurança económica do Japão. Atualmente, o Japão depende fortemente de importações chinesas para o abastecimento de terras-raras. Perante os riscos de concentração das cadeias globais de abastecimento, o Governo japonês prossegue ativamente a independência de recursos, posicionando a extração interna como uma rutura para eliminar a dependência externa e reforçar a resiliência da cadeia de abastecimento.
JAMSTEC planeia grande ensaio em fevereiro de 2027 e industrialização em 2028
O ensaio verificou com sucesso o funcionamento estável do sistema de elevação de sedimentos em águas profundas e a tecnologia de extração contínua a bordo. A análise confirmou que os sedimentos recolhidos contêm quase nenhuma substância radioativa ou perigosa, indicando riscos de menor impacto ambiental.
O Governo japonês pretende realizar um segundo ensaio de verificação de grande escala em fevereiro de 2027, com a duração de um mês. A operação irá transportar os sedimentos recolhidos para Minamitorishima para desidratação antes de os enviar para o Japão continental, verificando de forma abrangente operações em escala industrial, desde a extração até à separação e refinação. O Governo concluirá a avaliação de rentabilidade comercial até ao fim de março de 2027, com o objetivo de alcançar a industrialização de terras-raras no país a partir do ano fiscal de 2028.
FAQ
O que é que a JAMSTEC extraiu do leito do mar perto de Minamitorishima?
O navio de exploração da JAMSTEC, o 'Chikyu', extraiu aproximadamente 50 toneladas de sedimentos de uma profundidade de 6.000 metros perto de Minamitorishima no início de 2026. A análise confirmou que os sedimentos contêm concentrações elevadas de elementos terras-raras estratégicos, com as terras-raras de massa média e elevada a representarem 54% do teor total de terras-raras.
Quando é que o Japão vai realizar o próximo ensaio de extração de terras-raras?
O Japão pretende realizar um segundo ensaio de verificação de grande escala em fevereiro de 2027, com a duração de um mês. O Governo concluirá a avaliação de rentabilidade comercial até ao fim de março de 2027, com a industrialização a ser visada a partir do ano fiscal de 2028.