Michael Saylor publica um ensaio de 110 pontos contra o soft fork BIP-110 do Bitcoin

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Michael Saylor, presidente executivo da Strategy, publicou ao longo do fim de semana um ensaio de 110 pontos contra a proposta de soft fork BIP-110 do Bitcoin, com uma publicação no X datada de 18 de Julho de 2026. O ensaio, intitulado “110 Reasons BIP 110 Is a Bad Idea”, argumenta que a proposta criaria um precedente perigoso ao usar mudanças de consenso para invalidar transações atualmente válidas e que pagam taxas. O BIP-110 é um soft fork concebido para restringir temporariamente dados não financeiros como Ordinals e inscrições na rede do Bitcoin durante cerca de um ano. Saylor sustenta que, embora partilhe os objetivos dos apoiantes de manter a validação barata e o Bitcoin focado em dinheiro sadio, a própria solução acarreta riscos maiores do que o problema que procura resolver. A proposta desencadeou debate na comunidade Bitcoin desde que Ordinals e inscrições começaram a ocupar espaço de bloco em massa e a empurrar as taxas para cima em 2023.

Argumentos centrais de Saylor contra o BIP-110

O ensaio de Saylor desenvolve a sua posição anterior de que o principal perigo do BIP-110 está no precedente que criaria. Escreveu que o Bitcoin “cannot read intent” — a rede não consegue distinguir se os bytes representam uma imagem, uma prova, um contrato ou uma aplicação futura — pelo que restringir as formas usadas para armazenar dados também bloqueia usos legítimos. “‘Spam’ não é um elemento primitivo de consenso”, argumentou, afirmando que a desaprovação de um uso “também não é um elemento primitivo de consenso”. Saylor alertou que alterar o consenso para policiar um uso contestado cria um modelo que outros poderão reutilizar, com ferramentas de privacidade, custódia inovadora, liquidação de stablecoin ou sistemas de token potencialmente a enfrentar “argumentos semelhantes”. Descreveu isso como “não uma previsão”, mas “um risco de governança”, salientando que, embora as restrições caducariam após cerca de um ano, “o precedente não”. Saylor classificou o BIP-110 como uma “Bitcoin Iatrogenic Proposal” — em que o próprio tratamento causa o dano. Concluiu que “o Bitcoin não precisa de guardiães da pureza. Precisa de guardiães da neutralidade.”

Mecânica de ativação do BIP-110 e estado atual do sinal

O BIP-110 apertaria as regras de consenso do Bitcoin para limitar as técnicas usadas para incorporar dados arbitrários, visando inscrições e Ordinals. A proposta reduz o limiar de sinalização dos mineradores para 55%, face aos 95% usados nos soft forks anteriores, e remove a opção habitual de permitir que uma proposta expire silenciosamente. De acordo com o painel de monitorização da proposta, a sinalização tem estado abaixo de 1%, muito aquém do limiar de 55%. Saylor advertiu que a aplicação desencontrada “pode dividir a rede”. A janela obrigatória de sinalização abre em Agosto, com ativação prevista para cerca de 1 de Setembro. Os apoiantes, incluindo o programador Luke Dashjr e o grupo Bitcoin Knots, descrevem a proposta como uma forma de combater spam, enquanto os críticos dizem que rejeitaria transações válidas e poderia dividir a rede.

Divisão na comunidade e mudança do tesouro da Strategy

A postura de Saylor alinha-o com o CEO da Blockstream, Adam Back, com Jameson Lopp, da Casa, e com o defensor do Bitcoin Samson Mow, que também se opuseram ao BIP-110, contra Dashjr e o grupo Knots. O ensaio surge à medida que a Strategy muda do seu posicionamento de “nunca vender” para “gestão ativa de capital”, suspendendo as compras de Bitcoin para reforçar a sua reserva de caixa para 3 mil milhões de dólares, a fim de cumprir pagamentos de dividendos de ações e obrigações de juros da dívida. O CEO da Strategy, Phong Le, disse na semana passada que a empresa não se preocuparia com a dívida a menos que o Bitcoin despenque para a gama de 8.000–10.000 dólares. No Myriad, um mercado de previsões detido pela empresa-mãe da Decrypt, Dastan, os utilizadores colocam uma probabilidade de 8% de a Strategy deter mais de 1 milhão de BTC até ao fim do ano, abaixo dos 17% de uma semana antes.

FAQ

O que é o BIP-110 e o que propõe fazer?
O BIP-110 é um soft fork proposto para o Bitcoin, concebido para restringir temporariamente dados não financeiros como Ordinals e inscrições na rede do Bitcoin durante cerca de um ano. Apertaria as regras de consenso para limitar as técnicas usadas para incorporar dados arbitrários, visando conteúdo que ocupou espaço de bloco e aumentou as taxas desde 2023.

Porque é que Michael Saylor se opõe ao BIP-110?
Saylor argumenta que o BIP-110 estabelece um precedente perigoso ao usar mudanças de consenso para invalidar transações atualmente válidas e pagas por taxas. Sustenta que o Bitcoin não consegue distinguir a intenção por detrás dos dados, pelo que restringir certas formas de armazenamento de dados também bloqueia aplicações legítimas. Saylor alerta que isto cria um modelo de governança que poderia mais tarde visar ferramentas de privacidade, soluções de custódia ou liquidação de stablecoin e que, embora as restrições caducariam após um ano, o precedente permaneceria.

Qual é o estado atual do processo de ativação do BIP-110?
A janela obrigatória de sinalização do BIP-110 abre em Agosto, com ativação prevista para cerca de 1 de Setembro. A proposta reduz o limiar de sinalização dos mineradores para 55%, face aos 95% tradicionais, mas, de acordo com o painel de monitorização, a sinalização atual tem-se mantido abaixo de 1%, muito aquém do limiar exigido.

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