Os preços do petróleo continuam 20 dólares abaixo das máximas da guerra, apesar da queda de 11 milhões de barris na oferta

Key Takeaways
  • A análise do JP Morgan indica que a oferta global de petróleo caiu 11,1 milhões de barris por dia desde o início do conflito entre os EUA e o Irão, em fevereiro.
  • A Agência Internacional da Energia reviu em baixa a previsão da procura global de petróleo, apontando para uma queda de 1 milhão de barris por dia este ano.
  • A China reduziu as importações de petróleo, o Sudeste Asiático cortou os dias úteis e os Estados Unidos libertaram grandes quantidades das Reservas Estratégicas de Petróleo.

A análise do JP Morgan indica que a oferta global de petróleo caiu cerca de 11,1 milhões de barris por dia desde o início do conflito entre os EUA e o Irão, em Fevereiro, mas os preços do Brent mantêm-se cerca de 20 dólares abaixo das máximas de Abril-Maio, apesar de terem sido negociados recentemente acima dos 101 dólares por barril. O banco atribui esta estabilidade de preços à destruição da procura, que terá ocorrido mais rapidamente do que as expectativas do mercado, com a Agência Internacional de Energia (IEA) a prever agora que a procura global de petróleo diminua 1 milhão de barris por dia este ano. Esta redução da procura representa a maior queda em seis anos, excluindo o período da pandemia de 2020, segundo a avaliação da estrategista do JP Morgan Natasha Kaneva, citada pela Yahoo Finance a 26 (hora local).

A oferta global de petróleo diminuiu 11,1 milhões de barris por dia desde o início do conflito em Fevereiro

A estrategista do JP Morgan Natasha Kaneva analisou que a oferta global de petróleo diminuiu aproximadamente 11,1 milhões de barris por dia desde o início do conflito entre os EUA e o Irão, em Fevereiro, reduzindo as reservas globais de petróleo para níveis históricos mínimos. Este volume representa cerca de 10% da procura global de petróleo. Apesar desta redução da oferta, o Brent tem sido negociado recentemente acima de 101 dólares por barril, mas continua cerca de 20 dólares abaixo das máximas registadas em Abril-Maio durante o início da guerra. O JP Morgan explicou que os preços permaneceram relativamente estáveis apesar das quebras na oferta, porque o mercado reduziu a procura muito mais depressa do que o esperado. “Inicialmente, esperávamos que o impacto da redução da oferta se traduzisse sobretudo em retiradas de existências, enquanto a procura continuaria a aumentar, mas aconteceu exatamente o oposto”, afirmou o JP Morgan.

A IEA revê em baixa a previsão de procura de 420.000 para 1 milhão de barris por dia

A Agência Internacional de Energia (IEA) prevê que a procura global de petróleo diminua 1 milhão de barris por dia este ano. Isto representa mais do que o dobro da redução prevista na quebra de 420.000 barris por dia apresentada no relatório de Maio. O JP Morgan avaliou que o ritmo de redução da procura de petróleo este ano é o mais acentuado dos últimos seis anos, excluindo a pandemia de COVID-19 em 2020. O JP Morgan explicou: “Tendo em conta que a economia global apresentou crescimento acima das taxas de crescimento potenciais no primeiro semestre deste ano, é difícil aceitar com facilidade uma redução tão grande à escala da procura.”

Reduções nas importações de petróleo da China e libertações de reservas estratégicas impulsionam queda no consumo

Alguns analistas sugerem que a China poderá ter libertado reservas acumuladas que não foram capturadas nas estatísticas oficiais. A China, o maior importador de petróleo do mundo, reduziu recentemente de forma significativa as importações de petróleo, aliviando a pressão sobre a oferta no mercado global de petróleo, segundo uma análise. Contudo, o JP Morgan concluiu que, mesmo tendo em conta os fatores da China, a recente redução da procura continua num nível difícil de explicar. Os países do Sudeste Asiático reduziram os dias úteis, as companhias aéreas europeias cortaram as operações de voo e os Estados Unidos libertaram Reservas Estratégicas de Petróleo (SPR) em grande escala, fazendo com que o consumo global de petróleo diminuísse rapidamente num curto período. O JP Morgan avaliou: “Mesmo recalculando a relação entre oferta e procura retrospectivamente, não teríamos assumido que a destruição da procura fosse mais do dobro do que durante a crise financeira global. Este ponto torna este mercado de petróleo num caso altamente excecional.”

Perguntas frequentes

Porque é que os preços do petróleo não regressaram às máximas do início da guerra, apesar dos cortes na oferta?
A análise do JP Morgan indica que a destruição da procura ocorreu mais rapidamente do que as expectativas do mercado, compensando o impacto das reduções da oferta. A IEA reviu a sua previsão para a procura global de petróleo, apontando para uma queda de 1 milhão de barris por dia este ano, mais do dobro da redução de 420.000 barris por dia prevista para Maio.

Que fatores contribuíram para a redução inesperada da procura de petróleo?
A China reduziu significativamente as importações de petróleo, os países do Sudeste Asiático reduziram os dias úteis, as companhias aéreas europeias cortaram as operações de voo e os Estados Unidos libertaram Reservas Estratégicas de Petróleo em grande escala, levando a que o consumo global de petróleo diminuísse rapidamente num curto período, segundo o JP Morgan.

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