Três adolescentes foram presos após um “ataque de chave de grifo” no qual foram roubados criptomoedas no valor de 4,3 milhões de dólares à mão armada. Num vídeo divulgado pela Polícia Metropolitana na quinta-feira, o trio foi mostrado posando como entregadores para entrar num apartamento, onde ameaçaram o ocupante com facas e exigiram suas posses de criptomoedas.
A polícia afirmou que os suspeitos viajaram de Sheffield para Londres em 17 de junho de 2024, antes de realizar o roubo, que posteriormente foi ligado a eles através de imagens nas redes sociais e rastreamento de veículos após o roubo do carro da vítima.
Os suspeitos, que tinham 16 e 17 anos na altura, gravaram-se no Snapchat deixando a cena no BMW da vítima, imagens que a polícia usou posteriormente para identificar e relacionar com o roubo. Os agentes foram alertados quando o veículo roubado acionou uma câmera de reconhecimento automático de matrículas na M1, em Northamptonshire, menos de três horas depois, antes de o carro ser finalmente parado na M6, em Warwickshire, após uma perseguição breve. A criptomoeda da vítima foi “recuperada em 72 horas e devolvida duas semanas depois”, afirmou um representante da Polícia Metropolitana à Decrypt.
Os três réus foram condenados a um total de 16 anos de detenção juvenil após admitirem a culpa nas acusações relacionadas com o roubo e o furto do carro. As penas individuais variaram de 46 a 80 meses, confirmaram as autoridades à Decrypt. Um menor, que a polícia afirmou não poder ser identificado por razões legais, “admitiu culpa por roubo agravado, posse de bens criminosos e furto de veículo automóvel”. O menor recebeu 80 meses de prisão. O caso foi “um exemplo claro de como os suspeitos pensaram que postar as suas façanhas criminosas nas redes sociais lhes traria seguidores, mas tudo o que conseguiu foi fortalecer o caso contra eles”, afirmou o Detetive Constável Jonathan Leung em comunicado. Ataques de chave de grifo em criptomoedas Pesquisadores de segurança na indústria de criptomoedas dizem que o caso reflete um padrão bem estabelecido, em que atacantes contornam as salvaguardas técnicas ao direcionar-se diretamente aos indivíduos, muitas vezes após identificar vítimas através de informações pessoais vazadas ou expostas publicamente. Estes chamados “ataques de chave de grifo” resultaram em mais de 41 milhões de dólares em perdas em 2025, marcando uma taxa de crescimento de 75% ano a ano, com a França no centro da onda de crimes. “Não é uma tática nova. As forças de segurança, incluindo o FBI, documentaram os ‘ataques de chave de grifo’ há anos, onde os criminosos atacam fisicamente os detentores de criptomoedas em vez de hackear carteiras”, explicou Andy Zhou, cofundador da empresa de segurança blockchain BlockSec, à Decrypt. A ideia principal, explicou Zhou, é que “é muitas vezes mais fácil coagir uma pessoa do que quebrar a criptografia.” A maioria dos casos começa com exposição de informações, em vez de violência direta, afirmou.
“Vazamentos de dados, registros de clientes comprometidos ou informações disponíveis online podem ser combinados para identificar quem provavelmente possui criptomoedas e onde vivem”, observou. O erro mais comum é a superexposição, disse Zhou, observando que “as pessoas, inadvertidamente, vinculam sua identidade real, localização e posses de criptomoedas através de violações de dados, redes sociais, reutilização de números de telefone ou atividade pública em carteiras.” Riscos comuns incluem custódia de ponto único, onde um dispositivo ou pessoa pode mover fundos imediatamente, aumentando a exposição à coerção, afirmou Zhou. Ele acrescentou que sinais de alerta incluem phishing direcionado, tentativas inesperadas de recuperação de conta, sintomas de troca de SIM e contatos incomuns com indivíduos ou sistemas internos. “A conclusão prática é simples”, disse Zhou, explicando que “precisamos assumir que os atacantes podem visar humanos. Reduzir a exposição pessoal e adicionar fricção aos movimentos de fundos muitas vezes importa mais do que acrescentar outra camada de criptografia.”
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