O Ministério Público holandês solicitou em 1º de julho ao Tribunal de Roterdã a falência da plataforma de criptomoedas Knaken Cryptohandel e sua entidade associada Stichting Knaken Payments; a Knaken encerrou operações no início de junho, deixando cerca de 30 mil clientes impossibilitados de acessar seus ativos cripto. No mesmo dia, a Autoridade de Informações e Investigações Fiscais (FIOD) iniciou uma investigação criminal sobre possíveis infrações.
Fundamento legal do pedido de falência e procedimento de disposição de ativos
Se o Tribunal de Roterdã aprovar o pedido, o administrador judicial nomeado pelo tribunal assumirá todos os ativos da Knaken e, de acordo com a lei, determinará a proporção e a forma como os ativos poderão ser devolvidos aos clientes e outros credores. O Ministério Público holandês afirmou que não interferirá no processo de disposição do administrador judicial.
O pedido decorre dos seguintes motivos: a Knaken parou de fazer pagamentos de indenização aos clientes e os informou para não apresentarem pedidos de indenização por danos; o procurador afirmou estar "muito preocupado" com a falta de ordem no processo de liquidação voluntária da empresa; ao mesmo tempo, a AFM emitiu alertas e recebeu reclamações regulatórias.
Situação atual da investigação criminal da FIOD e divisão com o caso civil
A investigação criminal da FIOD originou-se de sinais da AFM e reclamações de órgãos reguladores, com o objetivo de apurar se houve infrações. Na segunda-feira, investigadores realizaram buscas em locais relacionados à Knaken, apreenderam laptops e celulares, e confiscaram ativos da empresa. Até o momento desta reportagem, ninguém foi preso. O Ministério Público holandês enfatizou que o pedido de falência civil e a investigação criminal são conduzidos por equipes distintas, e os processos são independentes entre si.
Fim do período de transição do MiCA: situação jurídica das plataformas não autorizadas
O período de transição do MiCA da UE terminou oficialmente em 1º de julho de 2026; a partir dessa data, plataformas sem licença MiCA não poderão oferecer legalmente serviços de criptomoedas a clientes da UE. A Holanda já havia encerrado seu período de transição nacional um ano antes.
A Knaken nunca obteve nenhuma das licenças exigidas pela AFM; seus serviços de troca entre euros e BTC, ETH e armazenamento de ativos cripto estão todos sob o escopo regulatório do MiCA. Analistas apontam que, com o aperto do MiCA, o mercado enfrenta pressão de consolidação; atualmente, apenas cerca de 200 empresas em toda a Europa possuem licença completa do MiCA.
Perguntas frequentes
Qual é o mecanismo legal pelo qual o Ministério Público holandês solicita falência com base no "interesse público"?
A lei holandesa permite que o Ministério Público solicite, por meio civil, a declaração de falência de uma empresa com base no "interesse público", mesmo que os clientes afetados não tenham feito o pedido por conta própria. Esse mecanismo é usado para proteger interesses coletivos; neste caso, para proteger cerca de 30 mil clientes da Knaken que não conseguem acessar seus ativos cripto.
Após a nomeação do administrador judicial, como os clientes da Knaken podem recuperar seus ativos?
Se o tribunal aprovar o pedido, o administrador judicial nomeado pelo tribunal assumirá os ativos da Knaken e, após avaliação legal, decidirá a proporção e a forma de reembolso aos clientes e outros credores. O Ministério Público holandês afirmou que não interferirá nesse processo. O mecanismo e o cronograma específicos de recuperação dependerão da decisão do administrador judicial e não foram divulgados até o momento desta reportagem.
A Knaken tinha algum registro público de dificuldades financeiras antes disso?
De acordo com a emissora pública holandesa NOS, a Knaken descreveu sua situação financeira como "frágil" em seu relatório anual de 2024. Além disso, a Knaken patrocinou clubes de futebol holandeses como Ajax, Feyenoord e Sparta Rotterdam; o Ajax encerrou o contrato após dois meses de parceria, e o Feyenoord também encerrou a colaboração no ano passado, ambos antes da empresa interromper as operações.