De acordo com a reportagem do ZDNet Korea, o Serviço Nacional de Impostos da Coreia do Sul (NTS) já emitiu, em 15 de abril, um edital de licitação para o “software de rastreamento para combater transações envolvendo sonegação de imposto com ativos virtuais”, com previsão de concluir a seleção do sistema até o final de maio, implantar em junho e iniciar oficialmente em julho. O novo sistema será capaz de rastrear carteiras de autocustódia (non-custodial) como MetaMask e Phantom, e também contará com a tecnologia de “de-mixing” (demixing), voltada à aplicação da lei a sonegadores que ocultam o fluxo de fundos usando mixers.
Esta é a terceira vez que a Coreia do Sul atualiza, desde 2024, o sistema de investigação fiscal de criptoativos. Em conjunto com a nova lei tributária que, a partir de 2026, passará a incluir oficialmente os criptoativos no Imposto de Renda de Renda Abrangente como “outras receitas”, as ferramentas de fiscalização também serão atualizadas para aumentar a eficiência da cobrança.
Objeto da licitação: as ferramentas da Chainalysis e da TRM Labs são os principais candidatos
Os requisitos do sistema listados no comunicado oficial abrangem cerca de 70 milhões de tipos de ativos virtuais e 45 camadas de blockchain no mundo todo, incluindo Bitcoin, Ethereum, Ripple (XRP) e todos os principais stablecoins. As soluções comercializadas que atendem a essas especificações são fornecidas principalmente internacionalmente pela Chainalysis e pela TRM Labs; as ferramentas de análise on-chain de ambas as empresas já foram adotadas por unidades fiscais e de aplicação da lei de países como Estados Unidos, Reino Unido, Coreia do Sul e Japão.
As funções centrais do sistema incluem: monitoramento de transações em tempo real, visualização do fluxo de fundos entre carteiras e exchanges, reconstituição “de-mixing” de mixers, identificação de ativos cross-chain e uma estrutura de rastreamento on-chain para sonegação offshore.
Autocustódia vira novo foco: a área de fiscalização se estende das exchanges para chaves privadas individuais
No passado, as investigações fiscais cripto dependiam principalmente do KYC e dos registros de transações enviados pelas exchanges; portanto, enquanto os fundos fossem transferidos da exchange para carteiras de autocustódia como MetaMask, Phantom, Ledger etc., o rastreamento era interrompido. O novo sistema, por meio de ferramentas de análise on-chain, consegue relacionar endereços de carteiras de autocustódia aos registros de entrada e saída de exchanges centralizadas e, então, reconstruir o fluxo completo de ativos por meio de mapas de transações on-chain.
Um oficial do NTS disse à ZDNet Korea: “Todas as transações em blockchain são públicas; com o rastreamento por meio de programas de análise, é possível chegar a algum nível de identificação de identidade.” Esse posicionamento deixa claro o raciocínio central de fiscalização do NTS: os dados on-chain públicos, por si só, são um fundamento legal e utilizável para auditorias fiscais.
Meios de fiscalização: congelamento de contas de exchanges, ação judicial por doações e omissão de herança
Após a entrada do novo sistema em funcionamento, o NTS poderá combinar três tipos de medidas de fiscalização: em primeiro lugar, para ativos cripto ocultados que não foram declarados, congelar diretamente a conta da exchange vinculada ao endereço; em segundo lugar, para transferências de ativos cripto de “doações/heranças não declaradas”, iniciar procedimentos de acusação judicial; em terceiro lugar, estabelecer uma estrutura de investigação para sonegação fiscal offshore, em conjunto com o mecanismo de intercâmbio de informações transfronteiriço da CARF (Crypto-Asset Reporting Framework) entre a Coreia do Sul e os Estados Unidos.
Essa iniciativa da Coreia do Sul também acompanha uma política recente dos Estados Unidos: a Casa Branca até o fim de 2025 considera a adoção do framework de declaração fiscal da CARF, a fim de obter dados de transações cripto no exterior de contribuintes dos EUA, formando um modelo duplo de “rastreamento on-chain doméstico + troca de informações transfronteiriça”.
Em conjunto com a nova lei tributária de 2026: tributação separada de “outras receitas”
A partir de 2026, os ganhos com criptoativos na Coreia do Sul serão tributados oficialmente de forma separada como “outras receitas”. A parcela que exceder 2,5 milhões de won coreano por ano será tributada a 22% (incluindo o imposto municipal). Essa lei tributária originalmente estava prevista para entrar em vigor em 2022; após várias prorrogações, finalmente será implementada de forma oficial em 2026. Com ferramentas novas de fiscalização, a Coreia do Sul passa da fase de “entrada da lei em vigor” para a etapa de “cobrança efetiva”.
Isso também significa que investidores individuais que, nos últimos quase cinco anos, recorreram fortemente a carteiras de autocustódia e a evasão fiscal via DeFi, enfrentarão um risco de fiscalização claramente maior. Com a recente ação da Coreia do Sul de revisar o《Lei de Transações Cambiais》 para regulamentar stablecoins, dá para ver que o ritmo regulatório geral está convergindo “dentro do pregão + fora do pregão + on-chain” para um mesmo sistema de tributação e de fluxos de fundos.
Indicações em cadeia para a aplicação fiscal na Ásia-Pacífico
A implantação padronizada da Coreia do Sul com as ferramentas da Chainalysis e da TRM Labs oferece um modelo de referência para mercados da Ásia-Pacífico com alta penetração de cripto, como Japão, Taiwan e Singapura. Hackers da Coreia do Norte, o grupo Lazarus, vêm continuamente utilizando protocolos DeFi cross-chain para lavagem de dinheiro, e um relatório de análise do CoinDesk de 20 de abril também apontou que suas táticas de ataque evoluíram de engenharia social para “aproveitar vulnerabilidades estruturais de protocolos”. Ao mesmo tempo, unidades fiscais e de segurança aumentam suas capacidades de rastreamento on-chain, o que deve se tornar a principal narrativa de conformidade cripto na Ásia-Pacífico em 2026–2027.
O significado para investidores individuais é bem direto: carteiras de autocustódia não serão mais o “bunker” (caixa-preta) em termos fiscais. Qualquer endereço que tenha relação com entradas e saídas de transações de exchanges pode acabar sendo travado de forma retrospectiva. No cenário da lei tributária de 2026, declarar ganhos cripto de forma em conformidade já é um caminho mais seguro do que depender de carteiras de autocustódia.
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