Nvidia volta a ficar acima de US$ 200; será uma recuperação sustentada do líder em IA ou apenas uma reação passageira?

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Em 8 de julho de 2026 (horário local), as ações da NVIDIA fecharam na Bolsa de Nova York a US$ 204,20, alta de 3,69% em relação ao dia anterior, encerrando três dias consecutivos de alta. Durante o pregão, atingiram pico de US$ 205,15, com variação diária de 5,13%. Essa trajetória de preço marca a retomada da NVIDIA acima do patamar de US$ 200 após quase dois meses de forte ajuste. Desde a máxima histórica de US$ 235,74 em maio, as ações recuaram cerca de 17%, evaporando aproximadamente US$ 1 trilhão em valor de mercado. A volta da NVDA acima de US$ 200 é um sinal: reversão de tendência ou apenas uma recuperação técnica no meio do ajuste?

Quão comprimido está o valuation

A mudança mais notável na NVIDIA não está no preço das ações, mas na compressão extrema de sua avaliação.

Até o fechamento de 8 de julho, o índice de preço-lucro (P/L) esperado para os próximos 12 meses caiu para 18,69 vezes, o nível mais baixo em 11 anos, metade da média dos últimos dez anos, de 36,9 vezes. A última vez que o P/L futuro atingiu patamar semelhante foi no início de 2019 — antes do boom da IA generativa, quando a NVIDIA ainda não era vista como sinônimo de IA.

Esse valuation não só está abaixo do intervalo histórico da própria NVIDIA, mas também abaixo do índice S&P 500, com P/L esperado de mais de 20 vezes, e do Nasdaq 100, com quase 23 vezes. Segundo dados do Bank of America, as cinco maiores empresas de tecnologia — Apple, Microsoft, Google, Amazon e Meta — negociam, em média, com P/L esperado de 22/19 vezes para 2027/2028, cerca de 30-35% acima da NVIDIA.

Sob o ângulo do PEG (relação preço/lucro ajustada pelo crescimento), a NVIDIA para 2027 apresenta um PEG de aproximadamente 0,3, bem abaixo de Apple (2,7), Microsoft (1,0) e Google (1,9). Isso indica que o mercado não está pagando prêmio pelo alto crescimento da NVIDIA, mas sim uma forte desvalorização.

A avaliação atual é sustentada pelos fundamentos?

A principal premissa para a compressão do valuation é: os fundamentos pioraram de forma substancial?

Pelos dados financeiros divulgados, a resposta é não. No segundo trimestre do exercício fiscal de 2026 (até 27 de julho de 2025), a receita foi de US$ 46,7 bilhões, crescimento de 56% ante o mesmo período do ano anterior, superando a expectativa de US$ 46,058 bilhões. A receita do data center foi de US$ 41,1 bilhões, mais de 80% do total. O lucro líquido atingiu US$ 26,422 bilhões, alta de 59%.

Mais relevante ainda é o desempenho do primeiro trimestre de 2027. A receita foi de US$ 81,615 bilhões, crescimento de 85% na base anualizada e 20% sequencialmente. O lucro líquido cresceu 210% ano a ano, com margem líquida de 71% e retorno sobre o patrimônio (ROE) superior a 132%. A previsão para o segundo trimestre de 2027 é de receita de US$ 91 bilhões (variação de ±2%), bem acima da expectativa do mercado, que girava entre US$ 86 bilhões e US$ 87 bilhões.

Analistas de Wall Street vêm elevando continuamente as projeções de lucros futuros da NVIDIA. O Bank of America estima um EPS de US$ 9,09 para 2027, com crescimento adicional em 2028. Ou seja, a queda do preço das ações ocorre ao mesmo tempo em que as expectativas de lucros se fortalecem, configurando uma típica “compressão de valuation” e não uma deterioração dos resultados.

Por que o mercado está atribuindo uma desvalorização tão extrema?

Com o valuation atingindo o menor nível em 11 anos, o que preocupa o mercado?

Primeiro, o aumento do custo de memória de alta largura de banda (HBM). Com a evolução dos chips de IA para arquiteturas mais avançadas, o uso e o custo do HBM continuam crescendo, levando a receios de que isso possa pressionar a margem bruta da NVIDIA. Segundo, a ameaça competitiva dos chips ASIC personalizados. Google, Amazon e outros provedores de nuvem aceleram o desenvolvimento interno de chips de IA, o que pode dividir a fatia de mercado da NVIDIA. Além disso, a concentração de posições institucionais e a rotação de recursos de chips de IA para chips de armazenamento e outros segmentos também aumentam a pressão de venda.

Porém, o Bank of America acredita que esses receios estão superavaliados. A atualização da arquitetura Blackwell para Vera Rubin aumenta o custo de cada rack de HBM em cerca de US$ 20-30 mil, enquanto o preço de venda do rack deve subir de US$ 200 a US$ 300 mil. O aumento de preços é impulsionado não só pela memória, mas também por componentes como o CPU Vera, NVLink e redes Ethernet Quantum. A capacidade de precificação e escala da NVIDIA é suficiente para cobrir essas variações de custo.

No que diz respeito à participação de mercado, a NVIDIA mantém uma fatia de 92% no mercado de chips de treinamento de IA e 78% no de inferência, praticamente estável em relação ao ano anterior. A TrendForce projeta que, em 2026, a participação global da NVIDIA no mercado de chips de IA será de aproximadamente 64%.

O significado técnico do patamar de US$ 200

Do ponto de vista técnico, US$ 200 tornou-se um nível de suporte e resistência de grande importância psicológica e técnica.

Desde o final do mês passado, a NVIDIA testou várias vezes essa região, sempre encontrando suporte. A média móvel de 200 dias, em torno de US$ 191, também funciona como uma linha de defesa importante. Na recuperação de 8 de julho, o preço subiu de uma mínima intradiária de US$ 195,10 para US$ 204,12 no fechamento, alta de 3,65%, com variação intradiária superior a US$ 10.

Tecnicamente, o preço enfrenta resistência na faixa de US$ 198-203. Uma quebra dessa zona abriria caminho para resistências em US$ 210,17, US$ 212,93 e US$ 214,37. Uma resistência mais forte está na região de US$ 232-236, na zona de oferta. Se o preço conseguir se sustentar acima de US$ 210, há potencial para uma nova alta.

Como interpretar os sinais do mercado de opções

O fluxo de fundos no mercado de opções costuma fornecer sinais antecipados.

De 7 a 8 de julho, houve forte preferência por opções de compra (calls). Os volumes de calls ultrapassaram 1,5 milhão de contratos, mais do que o dobro das opções de venda (puts), que ficaram abaixo de 690 mil contratos. No dia anterior, o prêmio total das opções da NVIDIA atingiu cerca de US$ 600 milhões, sendo aproximadamente dois terços relacionados a calls.

Um destaque foi uma operação de um único investidor: compra de US$ 350 mil em calls com preço de exercício de US$ 200, com vencimento no final de julho. Com o preço de entrada de cerca de US$ 7 por contrato, seria necessário que a ação subisse aproximadamente 5,5% até o vencimento para gerar lucro.

Para opções de curto prazo, os cinco contratos mais negociados são todas calls com vencimento na mesma semana, sendo a de preço de exercício US$ 200 a mais negociada, com quase 17 mil contratos e prêmio total de cerca de US$ 11 milhões.

Por outro lado, o mercado de opções do ETF de semicondutores (SMH) mostra uma estrutura oposta: volume de puts quase quatro vezes maior que o de calls, indicando cautela geral com o setor de chips, embora haja apostas de alta específicas na NVIDIA.

Divergências entre os analistas

As principais instituições de Wall Street mantêm avaliações bastante alinhadas, mas com diferenças nos preços-alvo.

O Bank of America é o mais otimista, reafirmando “Compra” com alvo de US$ 350, o que representa mais de 70% de potencial de valorização. Analista Vivek Arya afirma que o nível atual é uma oportunidade de compra reforçada, pois o mercado está excessivamente preocupado com custos de HBM e competição de ASIC, não refletindo a força de precificação, escala e vantagens competitivas da NVIDIA, apoiadas por uma cadeia de suprimentos de US$ 119 bilhões.

Goldman Sachs mantém recomendação de “Aumentar a posição”, com alvo de US$ 285. Analista James Schneider acredita que o valuation já incorpora o risco de competição de ASIC e que a penalidade por risco está exagerada. Mesmo com participação de chips personalizados, a NVIDIA deve crescer cerca de 55% na receita em 2027.

JPMorgan projeta US$ 280, enquanto Morgan Stanley aponta US$ 288. Entre os 61 analistas que cobrem a NVIDIA, cerca de 79% recomendam “Compra forte” e 16% “Compra”.

A divergência principal não está na perspectiva de crescimento, mas no momento e na magnitude da recuperação do valuation.

O cenário competitivo está mudando?

A dinâmica competitiva no mercado de chips de IA é uma variável-chave para a avaliação de longo prazo da NVIDIA.

No segmento de chips de treinamento, a NVIDIA domina com aproximadamente 92% de participação, praticamente inalterada em um ano. Analistas da UBS destacam que a plataforma Blackwell deve liderar o mercado em 2026, enquanto a AMD terá um atraso na implementação. A próxima geração, Vera Rubin, prevista para o segundo semestre de 2026, é vista como peça fundamental para sustentar o crescimento futuro.

No mercado de chips de inferência, a competição é mais acirrada. Chips ASIC oferecem vantagens de custo em cenários específicos, e Google, Amazon e outros estão expandindo seus chips internos. Contudo, o mercado de inferência está crescendo rapidamente, com expectativa de aumento de sete vezes, e a receita da NVIDIA deve continuar a subir de forma significativa.

Na China, devido às restrições de exportação, a participação da NVIDIA enfrenta desafios estruturais. A TrendForce projeta que, até 2026, fornecedores domésticos como Huawei e Cambricon terão quase 80% do mercado de chips de servidores de IA na China. Ainda assim, globalmente, a liderança da NVIDIA permanece intacta.

FAQ

Pergunta: Qual o nível atual de valuation da NVIDIA?

Até 8 de julho de 2026, o P/L esperado para os próximos 12 meses é de 18,69 vezes, o menor em 11 anos, abaixo do valuation do S&P 500 e do Nasdaq 100.

Pergunta: Por que o preço das ações da NVIDIA recuou recentemente?

Desde a máxima de US$ 235,74 em maio, as ações caíram cerca de 17%, influenciadas por preocupações com custos de HBM, competição de ASIC e rotação de recursos para outros segmentos de chips.

Pergunta: Como as principais instituições avaliam a NVIDIA atualmente?

Bank of America recomenda compra com alvo de US$ 350; Goldman Sachs mantém “Aumentar” com US$ 285; JPMorgan projeta US$ 280; Morgan Stanley, US$ 288.

Pergunta: O que o patamar de US$ 200 significa para a NVIDIA?

É uma resistência e suporte psicológico importante. As ações têm testado esse nível várias vezes, com forte interesse de opções de compra com strike de US$ 200.

Pergunta: A competição no mercado de chips de IA está reduzindo a fatia da NVIDIA?

No segmento de treinamento, a NVIDIA mantém cerca de 92% de participação, praticamente estável. Na inferência, a competição é maior, mas o mercado cresce rapidamente, e a receita da NVIDIA deve seguir aumentando.

Pergunta: Quais fatores podem influenciar os próximos movimentos da NVIDIA?

A temporada de resultados, os investimentos de grandes provedores de nuvem como Microsoft, Meta e Amazon, além do lançamento da próxima plataforma Vera Rubin, serão pontos-chave de atenção.

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GateUser-9d4ae657vip
· 6m atrás
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GateUser-9d4ae657vip
· 7m atrás
post muito legal e útil
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GateUser-9d4ae657vip
· 7m atrás
Vamos lá 🔥
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GateUser-9d4ae657vip
· 7m atrás
Vamos nessa 🔥
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