O tribunal distrital de Bandung, na Indonésia, condenou o fundador da eFishery, Gibran Huzaifah, a 9 anos de prisão por acusações de apropriação indevida e branqueamento de capitais relacionadas com um escândalo contabilístico de US$300 milhões, segundo a Bloomberg. O tribunal também impôs uma multa de 1 mil milhões de rupias (aproximadamente US$58.000) e concedeu a Huzaifah sete dias para recorrer. A decisão surgiu cerca de um ano depois de Huzaifah ter admitido ter falsificado contas no arranque de aquacultura indonésio.
O Tribunal Distrital de Bandung considerou Huzaifah culpado de apropriação indevida e branqueamento de capitais na sequência de uma investigação às operações colapsadas da eFishery. Os procuradores tinham pedido um período de 10 anos e afirmaram que o caso causou mais de 69 mil milhões de rupias (aproximadamente US$4 milhões) em perdas, ao mesmo tempo que prejudicou a confiança dos investidores no sector.
A eFishery entrou em colapso depois de uma auditoria ao conselho ter revelado que a empresa teria alegadamente exagerado receitas e lucros durante anos. A má conduta começou no final de 2018, durante um período de escassez de caixa, e foi usada para atrair financiamento dos investidores, de acordo com declarações atribuídas a Huzaifah.
Os investigadores descobriram um esquema sofisticado que envolvia registos contabilísticos paralelos e várias empresas de fachada — entidades legais criadas principalmente para movimentar dinheiro ou ocultar transacções, em vez de operar como empresas genuínas. Foi descoberto um desfasamento significativo entre as alegações da eFishery relativas ao uso automatizado de alimentadores e as estimativas reais de quantos dispositivos foram colocados e estavam activamente a enviar dados. A notificação interna na eFishery terá inflacionado o desempenho do negócio a uma escala alargada.
A SoftBank Group e a Temasek Holdings detinham acções preferenciais na eFishery e enfrentaram a recuperação de apenas uma pequena parte dos seus investimentos. O caso levou a uma reavaliação mais ampla do risco dos projectos start-up no Sudeste Asiático, com empresas de capital de risco asiáticas a implementarem procedimentos de due diligence mais exigentes e a procurarem protecções contratuais mais fortes. A repercussão também prejudicou a confiança no sector tecnológico da Indonésia de forma mais abrangente.
O regulador financeiro da Indonésia está a redigir novas regras que exigiriam auditorias para start-ups que angariem mais de 100 mil milhões de rupias (aproximadamente US$6 milhões). Observadores da indústria notaram que o caso ilustra o “Efeito Halo ESG” — a tendência de as declarações de missão ambientais, sociais e de governação fazerem com que os investidores tenham menos probabilidade de escrutinar sinais de alerta nas operações do negócio de uma empresa.